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	<title>Ponto de Partida &#187; Uma prosa</title>
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		<title>{Processos} Especial para os Pais!</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Aug 2016 16:03:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Ponto de Partida]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Uma prosa]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Processos&#8221; é um projeto do Ponto de Partida em que os atores do grupo fazem leituras dramáticas todas as quintas no Café da Estação! E a partir de agora, estes textos estarão aqui no blog também! Na última quinta fizemos uma homenagem aos Pais. { Bartolomeu Campos de Queirós  -  Lido por Érica Elke }  [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Processos&#8221; é um projeto do Ponto de Partida em que os atores do grupo fazem leituras dramáticas todas as quintas no Café da Estação! E a partir de agora, estes textos estarão aqui no blog também! Na última quinta fizemos uma homenagem aos Pais.</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;"><strong>{ Bartolomeu Campos de Queirós  -  </strong><strong>Lido por Érica Elke } </strong></span></p>
<p style="text-align: left;">O pai, homem calado, coçava sempre a cabeça, por longo tempo, como se estivesse fazendo carinhos no pensamento. Trabalhava muito e sem descanso. Havia sempre um arame para esticar, uma galinha para cortar as asas, uma tábua no curral merecendo mais um prego, uma planta carecendo de estaca para ganhar em altura. Aos domingos ele se assentava debaixo da sombra de uma árvore e ficava com o tempo. O tempo lhe presenteava com o silêncio.</p>
<p style="text-align: left;">Falava pouco. Ás vezes contava curtas histórias. A da galinha que entrou debaixo do caminhão e eu não tive como não matá-la. Os pintinhos ficaram piando em volta da mãe morta. Sem mais o que fazer, eu juntei os pintinhos e os levei para casa. Hoje, quando dirijo, não tenho medo de pontes, valas, mata-burros. Mas sendo galinha com pintos eu uso os freios.</p>
<p style="text-align: left;">Retomava do silêncio, abria o canivete muito amolado, picava o fumo, lambia a palha, enrolava o cigarro e fumava. Antônio não perguntava. O pai não respondia. Era um silêncio muito cheio de pesares.</p>
<p style="text-align: left;">As irmãs de Antônio, que já se vestiam de anjos nas coroações da capela e ganhavam cartuchos com amêndoas, elas ficavam atrás do pai, penteando e despenteando seus cabelos, partindo e repartindo os fios. Ele devia gostar do carinho, pois olhava para os lados sem mexer com a cabeça, para não sair do jogo.</p>
<p style="text-align: left;">De tempo em tempo ele viajava por mais dias. A mãe amarrava as portas e janelas mais cedo, encostando machados e bacias. O medo lembrava que o pai estava ausente. Quando voltava, ele trazia pão com salame embrulhado em papel pardo. Naquele lugar, onde biscoitos e bolos eram freqüentes, pão era notícia de outro mundo. E o salame, vermelho, cortado em rodelas, com meias luas de pimenta-do-reino, tinha gosto do amor que o pai revelava nos gestos, mas não dizia na voz.</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;"><strong>{ Ana Clara Castro - </strong><strong>Lido por Ana Clara Castro } </strong></span></p>
<p style="text-align: left;">A gente gostava mesmo era de procurar gnomos. Foram muitas expedições bem sucedidas em todo canto mais distante da cidade. Uma caneca perto da cachoeira? Só podia ser dos gnomos.</p>
<p style="text-align: left;">- Vi uma touca vermelha ali, você viu?</p>
<p style="text-align: left;">- Lá? Vi uma azul! Xi, pai, passou.</p>
<p style="text-align: left;">- Como será que ele se chamava?</p>
<p style="text-align: left;">- Gnomo, uai!</p>
<p style="text-align: left;">Um quiosque bem pequenininho no meio do nada? Casa de gnomo. Isso era final de semana.  Mas todos os dias tinha história pra dormir. Bolinha, Tamborete, a casa pequenininha da mulher pequenininha. E naquela cama cabiam todos os bichos, medos e florestas que a gente imaginava. Meu pai assobiava atrás da porta, eram as histórias todas chegando.</p>
<p style="text-align: left;">Ele me obrigava a escovar dente, tomar café da manhã e até a comer mamão. Mas criou um mundo inteiro dentro de mim.</p>
<p style="color: #1d2129;"><strong><span style="color: #000000;">{ Lido Loschi &#8211; Lido por Lido Loschi } </span></strong></p>
<p style="color: #1d2129; text-align: left;"><span style="color: #333333;">A plantação de batatas era um infinito verde esparramado na pequena várzea. Na época da colheita, o verde fundia-se com a terra e o amarelo das lisas e viçosas batatas. Chegávamos da aula e já tinha o recado: – É pros meninos descerem e ajudar na catança das batatas miúdas. Para fugir do trabalho nosso álibi eram as tarefas da escola. Fazíamos o exercício de história, geografia, português, até chegar na matemática. Ihh, melhor ir catar batatas! Fechávamos os livros e descíamos.</span></p>
<p style="color: #1d2129; text-align: left;"><span style="color: #333333;">O cheiro da terra úmida, o movimento, o vozerio animado dos homens trabalhando, o barulho das enxadas escalavrando o chão sob o sol ardente escalavrava também nossa fantasia. As batatas grandes viravam pedras, tinham força para acertar qualquer passarinho, ou qualquer outro animal que não respeitasse a distância. As miudinhas viravam bolas de gude, e o serviço, nunca que acabava. “São tantas coisinhas miúdas, roendo, comendo, arrasando aos poucos o nosso ideal”. A música de Gonzaguinha servia de paródia para, divertidamente, passar o tempo e encurtar aquelas penosas horas. No fim da tarde voltávamos pra casa. E as batatas estavam lá, na sopa, na salada, no caldo, na travessa, na frigideira, em pesadelos nos nossos sonhos. Os sacos de batata no barracão exalavam um cheiro peculiar e garantiam trabalho, mesa farta e despensa cheia.</span></p>
<p style="color: #1d2129; text-align: left;"><span style="color: #333333;">Mas as batatas caíram de preço. Era preciso buscar novas culturas. Aí veio o tomate. O vizinho plantou e ficou rico. Ouvíamos falar dos magnatas do tomate. Meu pai não teve dúvida. Vamos ao tomate! Ah, o que era o trabalho desses homens! Meses depois o tomatal estava erguido. Era grande a labuta. Amarrar, aguar, capinar. As mãos ficavam pretas com a nódoa das folhas e dos caules, mas sonhávamos com roupas novas, presentes de natal, carro novo, até férias na praia. Meu pai prometeu! Todos ficaram ricos com o tomate. Nós também ficaríamos.</span></p>
<p style="color: #1d2129; text-align: left;"><span style="color: #333333;">O mormaço e as nuvens prometiam chuva. Ôba! Hoje não precisa aguar, a chuva é certa! Mas o céu empretecera demais. Os relâmpagos anunciavam tempestade. A chuva caiu forte. Eu voltava da aula e tive que esperar passar o temporal escondido no posto perto do asfalto. A estradinha, de repente, ficou branca de granizo, toda salpicada de verde das folhas picadas das árvores, coisa linda de se ver! Cheguei em casa afundando o pé naquele gelo espraiado pelo terreiro, branco como um sonho. O mundo parecia um imenso frigorífico.</span></p>
<p style="color: #1d2129; text-align: left;"><span style="color: #333333;">Meu pai chegou logo depois, fora ver o tomatal. Ficou um longo tempo parado na porta, como se as forças o tivessem abandonado e faltasse coragem para nos encarar. Tudo perdido! Ele falou. Um silêncio profundo fez a gente esquecer do susto da chuva, das férias na praia, dos presentes no fim do ano, da ilusão de ficar rico. A panela de pressão agitou-se no fogão, como um grito de revolta ou um consolo exalando esperanças. Meu pai sentou na mesa da cozinha com olhar cansado, o rosto magro, depauperado, e com a voz trancando lágrimas, tirou o chapéu e disse: O tomate até caiu de preço, bom mesmo é a batata baroa. Essa dá dinheiro!</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;"><strong>{ Bartolomeu Campos de Queirós - </strong><strong>Lido por Ana Alice } </strong></span></p>
<p style="text-align: left;">Meu pai dirigia um caminhão muito grande e bonito. Viajava para longe, levando manteiga para as cidades que só produziam pão. Bom Destino tinha pão e manteiga. Passava dias distante e voltava trazendo uma carroceria cheia de notícias. Eu ficava impressionado como era grande o mundo do meu pai. Ele colocava um travesseiro sobre seus joelhos e me entregava o volante  para eu dirigir. Naquele  tempo eu não sabia nem frear meus pensamentos; tinha só duas pernas, imagina dirigir um caminhão com dez rodas. Depois, como seria possível eu aprender a dirigir, se minha alegria eram as paisagens! No caminhão havia dois espelhos dos lados, eu apreciava ver meu pai olhando para frente e correndo os olhos sobre o que estava atrás. Nesses momentos ele possuía muitos olhares.</p>
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		<title>O Sabonete Pom Pom</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Jun 2016 17:20:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Ponto de Partida]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Uma prosa]]></category>

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<div id="id_57606525813960980057905" class="text_exposed_root text_exposed"><a href="http://www.grupopontodepartida.com.br/sistema/wp-content/uploads/2016/06/13403142_1137787902951742_984563401896680693_o.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-1462" src="http://www.grupopontodepartida.com.br/sistema/wp-content/uploads/2016/06/13403142_1137787902951742_984563401896680693_o-225x300.jpg" alt="13403142_1137787902951742_984563401896680693_o" width="225" height="300" /></a></div>
<div class="text_exposed_root text_exposed"></div>
<div class="text_exposed_root text_exposed">O único aniversário que tenho lembrança da minha infância, foi quando fiz 6 anos. Com certeza comemoramos outros, mas nesse ganhei uma festa e um presente que jamais esqueci. Dias antes, a Zélia, uma parente nossa que morava ali por perto, conversava com minha mãe na cozinha. Entre goles de café e biscoitos casadinhos, elas tramaram a festa. Minha mãe faria os pastéis e as coxinhas. A Zélia faria o bolo. Na semana seguinte, a Zélia saia lá de casa com<span class="text_exposed_show"> todos os ingredientes num saco. Latas de leite condensado, massa santista, açúcar refinado, compotas de ameixa e abacaxi. Vi quando ela subiu o atalho e atravessou a cerca que dava na linha do trem, com o imenso saco nas costas. </span></div>
<div class="text_exposed_root text_exposed"></div>
<div class="text_exposed_root text_exposed"><span class="text_exposed_show">A semana passou lenta e eu imaginando a festa. Finalmente chegou o dia. Levantei cedo, varri o terreiro com vassouras de alecrim, que meu pai fazia com esmero. Tomei banho, e logo já era de tarde. Os convidados foram chegando, todos queriam me ver e entregar os presentes. Ganhei muitos presentes. No final da festa minha mãe e meus irmãos separavam e se admiravam com os regalos.</span></div>
<div class="text_exposed_root text_exposed">
<div class="text_exposed_show"></div>
<div class="text_exposed_show">-Olha que lindo! Um carrinho. &#8211; Nossa, que roupa chique, última moda! &#8211; Uma caixa de bombom. Pode pegar um? &#8211; Um sapato de verniz, quem que deu? Isso é caro! Cada embrulho tinha seu peso, seu valor. Deixei todos se deliciarem com os presentes e me agarrei com o que mais gostei. Um sabonete Pom Pom. Não se tratava de um sabonete comum, não tinha o cheiro dos outros sabonetes. Era uma caixinha quadrada escrito Pom Pom em azul, com um sabonete branquinho e um perfume tão delicado que escondi na gaveta e no fundo da minha alma.</div>
<div class="text_exposed_show"></div>
<div class="text_exposed_show">O aniversário passou e o sabonete permaneceu, perfumando, por longo tempo, as roupas surradas da minha infância. Quando mais tarde, resolvi usá-lo, usei com dor no coração. Estava amarelado, parecia uma pedra. Já não tinha cheiro nem espuma, tinha- se perdido no tempo. Nem me trouxe lembranças dos meus 6 anos, foi perdendo a memória enquanto eu crescia. Perdeu-se como a infância. Dissolveu seu aroma nos anos que se passaram até ficar completamente inodor. Perdeu-se ante aos acontecimentos daquela casa, daquele quarto, daquela gaveta. Perdeu tudo. Menos a poesia, que aquele dia despertou em mim.</div>
<div class="text_exposed_show"></div>
<div class="text_exposed_show">Para os aniversariantes de junho. Inclusive eu. Feliz aniversário!</div>
<div class="text_exposed_show"></div>
<div class="text_exposed_show">Por Lido Loschi, ator do Grupo Ponto de Partida.</div>
</div>
<div class="_5wpt"></div>
</div>
<div class="_3x-2" style="color: #1d2129;"></div>
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		<title>TODO OUVIDOS #6 – DENTRO DE MIM</title>
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		<pubDate>Tue, 24 May 2016 19:13:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Ponto de Partida]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Uma prosa]]></category>

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		<description><![CDATA[André Salomão Lá vem ele! E ela! Olha aquelezinho! Ah nem… essa senhora é tão fofinha, né? Será que ela vai gostar? Uai! Não vai parar de entrar gente? E o sinal pra começar? Demorando… Pronto! Piscou! Vamos pro palco!!! Como é bom e apavorante estar aqui. Antes do primeiro acorde, o poema de abertura. [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="color: #404040;">André Salomão</p>
<p style="color: #404040;">Lá vem ele! E ela! Olha aquelezinho! Ah nem… essa senhora é tão fofinha, né? Será que ela vai gostar? Uai! Não vai parar de entrar gente? E o sinal pra começar? Demorando…</p>
<p style="color: #404040;">Pronto! Piscou! Vamos pro palco!!! Como é bom e apavorante estar aqui. Antes do primeiro acorde, o poema de abertura. Recapitulando… depois de “maior que o espaço”, conta 1, 2, 3, 4 e ataca no chimbal.</p>
<p style="color: #404040;">Ih! Deu pau! O poema voltou pro começo!!! Calma… respira… começou errado, mas vai dar certo no final! Será? Agora vai… 1, 2, 3, 4… “muito prazer, sou daqui… e quem não é?”</p>
<p style="color: #404040;">Segura essa costela aberta, meu filho! Naquela nota, bota aquele brilho que a professora ensinou! Joga no palato duro… Isso, garoto!!! Agora é correr pro abraço. Lembra do combinado: último acorde, congela, espera o aplauso e já começa a próxima. Simples!</p>
<p style="color: #404040;">Mas, e se não aplaudirem? Onde eu enfio a cara? É muito importante que aplaudam a primeira música!</p>
<p style="color: #404040;">Ufaaa!!! Que aplauso forte… parece que gostaram! Continue concentrado! Agora é <em>A busca</em>, depois <em>Planos e Muros</em> e aí, dar boa noite pro público. Tranquilo, 3 músicas suas, não tem como errar… Errei!!! Não acredito! Tem 8 anos que você toca essa música, que você mesmo que fez e ainda erra acorde? Sem problemas, ninguém percebeu. Finja normalidade. Artista é um fingidor!</p>
<p style="color: #404040;">Agora, vem aquele falsete… nos ensaios, a cada 10, eu desafinei em 9! Vai dar ruim!!! Ai, que vergonha! É agora! Prepara o apoio, criatura! Vai com fé… que lindo! Com eco, tipo montanhas de Minas! Passou!</p>
<p style="color: #404040;">“Boa noite! É um prazer enorme estar aqui nessa noite. Tá gostosinho? (porque eu falei isso?)… vamos seguir com uma mistura entre as músicas do meu CD Planos e Muros e outras conhecidas de vocês… Chico, Milton, Rita Lee e tal…”</p>
<p>Bom, já dei boa noite. O povo está receptivo, com aquele calorzinho… vai dar bom! Agora é só relaxar e aproveitar…</p>
<p>Aí! Porque foi relaxar, miseravi? Errou a entrada da terceira parte! Siga fingindo… “mas vou até o fim”. Tá ótimo, tá lindo… violão desafinou… afina… próxima…</p>
<p>Marcado… lembra de usar o braço. Primeiro pra direita, depois pra esquerda… próxima… Rica vida simples… vai ter que ser perfeita… ela quase rodou do repertório… se falhar, roda pra sempre! Vamo lá, gente! Eu canto, vocês repetem:</p>
<p><em>Chega de perder seu tempo raro<br />
Confundindo o que é bom com o caro<br />
Chega de perder o sol<br />
Linda luz na hora do arrebol</em></p>
<p>Essa menina na primeira fila, não vai esboçar nenhuma reação? Nem mexer a cabeça… sei lá… vaiar… qualquer coisa! Foco, André! Pessoal tá curtindo. Pode ser só o jeito dela. Não dá nada. Segue o passeio!</p>
<p><em>Deixa chegar o sonho<br />
Prepara uma avenida<br />
Que a gente vai passar</em></p>
<p>Que delícia de cantar isso! Larguei o violão… To voando!!! Solta a voz, garoto! Que sorte ter uma banda dessa junto comigo! Os caras são demais mesmo! Hora de apresentá-los ao público…</p>
<p>“No baixo, Manu Leal. Bateria, Gladston Vieira. Percussão, Nil Dutra. Sax e flauta, Matheus Duque. Guitarra, Douglas Netto. E eu, sou André Salomão. Agora, vocês fazem parte da banda. Pessoal da direita, bate palma… do meio canta ‘Vô, num vô’… da esquerda ‘Ahn? Hein?’…”</p>
<p>Maravilha! Que diversão! Vivendo um sonho… cadê o Pitágoras, com a minha viola? Vou ficar falando aqui pra enrolar até ele aparecer… “agora, vou cantar uma música chamada ‘Calma’. É uma canção que…” Bateu!!! – Ivan Corrêa, diretor musical me salvando de pular uma das músicas que mais gosto de cantar. O Pit tava certo!</p>
<p><em>Bateu… bateu… bateu asas e voou</em></p>
<p>Uuuuhhh! Soltei um grito no meio da música! Não deu pra segurar! Quero ficar aqui pra sempre. Não quero que esse momento acabe! Lembrei do professor Clóvis de Barros falando sobre felicidade…</p>
<p>Agora sim, vou pegar a viola e cantar Calma.</p>
<p style="color: #404040;"><em>Calma<br />
agora que tudo passou<br />
não tem porque correr</em></p>
<p style="color: #404040;">E esse clima de monte tibetano! Perfeito pra cantar <em>Estrela, estrela. </em>Essa música é linda demais. Segura o choro… segura… quem tem que chorar é o público! O Rony colocou umas lampadinhas pelo salão! A luz tá um convite pra rasgar o coração! Vou chorar… não! Consegui!</p>
<p style="color: #404040;">Agora, o baile. Desfrute! Esse <em>nanana</em> de <em>Céu em preto e branco</em> é bão demais pra cantar junto! Não para! Deixe fluir… emendando… <em>Quem sabe isso quer dizer amor</em>… troquei a letra!!! Paro ou não paro? Parei! A banda continuou…</p>
<p style="color: #404040;">“Gente, eu não dormiria tranquilo se não cantasse essa música direito. Vou começar a letra de novo!”</p>
<p style="color: #404040;">Agora sim! Tá lindo!!! E esse sax! Essa guitarra! O baixo! A bateria! A percussão! Flutuei agora! Segue o baile!</p>
<p style="color: #404040;"><em>Como vai você?<br />
Assim como eu<br />
Uma pessoa comum<br />
Um filho de Deus</em></p>
<p style="color: #404040;">Uai, credo!!! Todo mundo sabe cantar essa música? Arrepiei tudim!!! Dançando como se não houvesse amanhã! Tô no céu mesmo! Bem que o Lido falou que seria um sucesso cantá-la! Que pena que vai acabar na próxima! <em>Batuque leve </em>pra fechar com lalaiá… Sambando! Sambando!!!</p>
<p style="color: #404040;">Acabou! O público está de pé? É isso mesmo? É!!! Querendo mais um! Claro que vamos tocar outra. Primeiro, a importantíssima missão de agradecer aos envolvidos. E segurem essa:</p>
<p><em>Há um menino<br />
há um moleque<br />
morando sempre no meu coração<br />
toda vez que o adulto balança<br />
ele vem pra me dar a mão…</em></p>
<p><em>… pois não posso, não devo, não quero viver<br />
como toda essa gente insiste em viver<br />
e não posso aceitar sossegado<br />
qualquer sacanagem ser coisa normal</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Texto extraído do Blog Araguari MG, 16 de maio de 2016.</p>
<p style="color: #404040;">André Salomão é músico e aluno da Bituca:Universidade de Música Popular.</p>
<p style="color: #404040;">
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		<title>Por Pedro Fonseca</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Jun 2015 19:22:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Ponto de Partida]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Uma prosa]]></category>

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				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.grupopontodepartida.com.br/sistema/wp-content/uploads/2015/06/11218973_834345943318192_2943330696448322214_n.jpg"><img class="alignleft wp-image-1132 size-medium" src="http://www.grupopontodepartida.com.br/sistema/wp-content/uploads/2015/06/11218973_834345943318192_2943330696448322214_n-300x199.jpg" alt="Foto: Pedro Fonseca" width="300" height="199" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Teresa, Irene e João,<br />
conheçam Tainá. Ela é o Brasil que deu certo, o lugar para onde devemos ir se aprendermos a voar. Nasceu em Araçuaí, tem 7 anos, canta feito um passarinho que habita a primavera eterna – estação propícia para quem usa as asas para distribuir pólen entre as flores. Está aqui em Barbacena, com mais vinte e seis crianças que dei a sorte de conhecer – com o esforço do trabalho. Dança, sorri, interpreta o seu próprio personagem. A menina feliz de um coral que cria harmonias humanas. Enquanto Tainá cantava hoje, pensava em vocês três, pedia ao deus no qual acredito, que é o deus do esforço e da sorte que os presenteasse com o dom do afeto – sou afeito a ele, já sabem. Esses dias em Barbacena me revelaram um afeto maior. Afeto de um por muitos, de um por um, de um por si próprio, de todos pelo lugar que se habita. Enquanto descobria o coral dos Meninos de Araçuaí, nos ensaios com o Grupo Ponto de Partida, descobria este lugar desconhecido em mim. Este lugar que quem tem asas habita. Esta primavera eterna. Vamos voltar em breve, filhos. Aqui tem pólen. Aqui tem Tainá. Vamos voar?<br />
Do seu pai,<br />
Pedro.</p>
<p>(texto extraído do Blog &#8220;Do seu pai&#8221;)</p>
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		<title>Fernanda Montenegro assiste Presente de Vô</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Mar 2015 15:49:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Ponto de Partida]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220;Quando a gente vê um espetáculo como esse, a gente acredita que o ser humano vale a pena. Não estou exagerando.&#8221; Quem disse isso foi nossa querida amiga Fernanda Montenegro que, na tarde desse domingo, esteve conosco no Espaço Tom Jobim, no Rio, para assistir o Presente de Vô. Ao final dos aplausos, quando nossa [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="p1"><span class="s1">&#8220;Quando a gente vê um espetáculo como esse, a gente acredita que o ser humano vale a pena. Não estou exagerando.&#8221;</span></p>
<p class="p2">Quem disse isso foi nossa querida amiga Fernanda Montenegro que, na tarde desse domingo, esteve conosco no Espaço Tom Jobim, no Rio, para assistir o Presente de Vô.</p>
<p class="p1"><span class="s1">Ao final dos aplausos, quando nossa diretora, Regina Bertola, agradeceu sua presença, Fernanda, da platéia, nos presenteou com um depoimento sobre o espetáculo e o Ponto de Partida. &#8220;É um trabalho primoroso! Estou encantadíssima! Nós todos estamos! Não é, gente?&#8221; E depois de muitas lágrimas, beijos e abraços, generosamente, ela registrou seu carinho nesse vídeo.</span></p>
<p class="p2">Estamos felizes, radiantes, emocionados.</p>
<p class="p1"><span class="s1">Obrigado, Fernanda, por abrir de forma tão amorosa e comprometida as comemorações dos nossos 35 anos.</span></p>
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		<title>Bem vindo ao novo site do Ponto de Partida</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Nov 2014 12:33:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Ponto de Partida]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Depois de quase dois anos com o site em construção, é com muita alegria que publicamos a nossa nova casa virtual! Aqui você encontrará muitas informações e muitas curiosidades sobre o grupo. Este site foi desenvolvido em parceria coma a empresa Designlândia, de Belo Horizonte. Aproveitem e visitem sem moderação Ponto de Partida]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Depois de quase dois anos com o site em construção, é com muita alegria que publicamos a nossa nova casa virtual! Aqui você encontrará muitas informações e muitas curiosidades sobre o grupo.</p>
<p>Este site foi desenvolvido em parceria coma a empresa <a href="http://designlandia.com.br/">Designlândia</a>, de Belo Horizonte.</p>
<p>Aproveitem e visitem sem moderação<br />
Ponto de Partida </p>
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